[ você sabe com quem você está falando? ]
Eu: Ana P., aka Smiley
Profissão: Escritora nas horas vagas
Idade: Vinte e três, uma jovem!
Signo: Aquário
Cor: Preto
Comida: a que mata a fome!
Acredito muito que: todos os nossos atos têm um preço.
Vícios: amigos, ler e sorrir!
Se você quer me conhecer: Viva e deixe viver, o resto a gente descobre!

[ meu passado me condena ]



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[Sábado, Fevereiro 16, 2008]

Five years

We only said good-bye with words
I died a hundred times
You go back to her
And I go back to black

Amy Winehouse - Back to Black

Segunda feira completo cinco anos de vida bloguística.

Parabéns? Sinceramente, não sei dizer. Foram esses textos, essa verborragia sem fim que me fez acabar onde eu estou agora, numa faculdade de comunicação social achando que eu tenho grandes futuros nessa área. Foram esses textos que me ajudaram a diminuir a dor muitas vezes. Foram esses textos, esses desabafos espontâneos que me levaram a tomar decisões que mudaram meu destino e de outras pessoas. Através dos N blogues que eu tive nesse período, conheci boas e más pessoas, fiz amizades que vão ser pra toda eternidade, adquiri conhecimentos, enfim.
Mas em cinco anos tantas outras coisas mudaram! Em cinco anos, meu blogue foi o meu porto seguro, aonde eu sabia que podia sempre despejar minhas palavras, meus sujeitos sem predicado, meus objetos diretos e principalmente os indiretos. Foi aqui que eu tomei coragem pra tantas outras coisas da vida real, foi aqui que eu deixei as tristezas que não me deixavam dormir [assim como estou fazendo hoje], foi aqui que as pessoas me deram lições de moral, foi aqui que eu levei a maior bofetada que mão nenhuma teria me dado na vida. Aqui eu tenho aprendido a ser uma pessoa diferente, todos os dias. E eu já não consigo imaginar muito como seria a minha vida se eu não tivesse um blogue.
Parece exagero dito assim, mas o fato é que o blogue foi quem me ajudou a ver do que eu realmente gosto na vida. Gosto de falar sobre mim, e sobre os outros, gosto de expor minhas idéias e que opinem sobre elas, gosto de aprender e de ensinar. Gosto de ver as pessoas pensando. Gosto de pensar. Coisa que, eu tenho certeza, eu nunca faria tão bem quanto eu faço nessas palavras soltas.
Pelo blog eu voltei a ler, para ter mais coisas a comentar. Pelo blog eu voltei a prestar atenção no mundo e na humanidade. Pelo blog foi que eu resolvi que tinha que conhecer outras partes do mundo, ter novas experiências, conhecer novas pessoas. Esse bicho teve realmente uma importância muito grande na minha vida nesses últimos cinco anos. E continuará tendo por um bom tempo.

Cinco anos...

- eu desisti de uma faculdade que não me trazia felicidades, e dividi isso com vocês aqui no blogue.
- eu comecei um curso inspirada pelo blogue, e dividi novamente com vocês nesse espaço.
- eu tive três empregos diferentes, e atualmente me encontro registrada há quatro anos e alguns meses, e também divido as lamúrias e alegrias que passo nesse trampo aqui com esse bichinho.
- ganhei amores, perdi amores, muitos deles sem falar pra ninguém, só pro blogue mesmo.
- ganhei amigos, perdi amigos, e alguns inclusive POR CAUSA do blogue!
- aprendi coisas que livro nenhum teria me ensinado, principalmente pq em livro nenhum eu teria saco de pesquisar!
- aprendi a amar e terminei um namoro.
- aprendi a amar... é, esse blogue me ensinou a amar, e isso eu aprendi através das minhas próprias palavras. Engraçado isso...
- fiz dívidas, quitei dívidas, adquiri bens que meu blogue ficou sabendo.
- criei caso, inventei histórias, iludi meus sonhos através do blogue.

É como se fosse um irmão mais velho, daqueles que a gente confia pra falar de tudo, até da primeira menstruação. E ele vai ouvindo e vai absorvendo minhas palavras loucas, e nunca reclama, e acho que até gosta. Fico por vezes sem publicar textos e isso me corta o coração, porque o princípio do blogueiro é gostar de aparecer. Mas tem coisas que eu conto pro meu blogue e não conto pra vocês, fica só entre eu e ele, e existem motivos, porque eu ainda não sei lidar bem com certos assuntos.
Durante muito tempo esse foi um blogue romântico. Mas [com o perdão da expressão, se vc chegar a ler isso aqui] foi um amor falso, um amor que existiu apenas na nossa cabeça, apenas no blogue. Um amor que machucou, que doeu, que sofreu, mas que... enfim, se foi. E agora eu sei como funciona. Graças à tudo o que eu expus aqui, graças à tudo que eu pude me despejar aqui.

Hoje sou uma pessoa diferente. E essa pessoa que mudou e cresceu em cinco anos, cresceu junto com o blogue. Parabéns pra você, querido, e parabéns para mim também.


Registrado por Ana P. em * 16.2.08
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[Domingo, Setembro 30, 2007]

Beleza é fundamental?

I am beautiful, no matter what they say
Words can't bring me down
I am beautiful in every single way
Yes, words can't bring me down, oh no
So don't you bring me down today...

Christina Aguilera - Beautiful

Nascer no século da tecnologia, da propaganda, da imagem e do som tem gigantescas vantagens, porém também tem vários "no entanto". A questão que eu discuti comigo mesma por toda a vida e que voltou com força total nos últimos tempos é: a partir de qual momento da história da humanidade foi definido o que é feio e o que é bonito? Nós não nascemos com esse conceito, tanto que você não vê um bebê fazer uma cara mais ou menos bonita quando olha pra uma modelo ou pra uma pedinte de rua toda maltrapilha. Então, quem criou o conceito que hoje todos entendem como sendo "beleza", e o que levou este ser a definir tais critérios?

Pergunto-me sobre isso, porque sei que o conceito de beleza foi mudando através da história, isso nós conseguimos perceber através de quadros e narrativas de antigamente. É possível perceber, por exemplo, que a magreza excessiva se tornou um modelo a ser seguido apenas no último século. Percebemos também que em um determinado momento da história os homens resolveram que maquiagem e salto alto eram coisas para mulheres. E também vemos que quanto mais roupa você usava, mais bela você era. Vê como as coisas mudaram? Hoje em dia pra mulher ser bela tem que ser um palito [a inteligência não é mais considerada nos padrões de beleza, afinal você come a carne, não a mente], o homem fofucho perdeu a vez, o negócio agora é ser musculoso, barriga de tanquinho, se possível branco com olhos claros. Ah, sim, esqueci desse detalhe, a beleza também se define pela cor, então quanto mais clarinho você for, mais bonito você é. Quantos negros você já viu fazendo papel de mocinho na tv, no teatro e no cinema?

Se você mulher sai na rua e não deixa a bunda e os seios à mostra, quão ridícula é você! Que século você vive, mulher? E você guri, como é que você vai causar alguma impressão se suas calças não estiverem caindo pelos joelhos? Não esquece da bomba, e tem que sair sem camisa pra mostrar os bíceps trabalhados, hein?

Não sei a partir de qual momento da nossa vida esse modelo foi imposto na nossa mente, mas sei que grande parte da culpa desse modo de pensar se deve à mídia, à propaganda que nos é forçada dia e noite goela abaixo. Pessoas gordas não podem comprar suas roupas junto das pessoas magérrimas, pra isso existem as lojas de "tamanho especial". Pras pessoas feias, temos cirurgia plástica sendo oferecida em corredor de shopping center [e até hoje não entendo porque, toda vez que eu passo no shopping a menina me puxa pra oferecer cirurgia plástica]. Pra quem tem olho escuro, lentes de contato de todas as cores, pras morenas temos tintura loira.

Eu não sei se beleza é fundamental. A frase me soa um pouco redundante. Todos nós nascemos com belezas diferentes. E quem disse que pra ser belo deve seguir um padrão? Fico muito chateada comigo mesma quando começo a pensar nessas coisas, pois graças à essa propagaiada toda, eu me forço a pensar que não sou bela. Mas sou sim, eu sou linda aos meus olhos, e talvez aos olhos de mais alguém. Se eu fosse corcunda e tivesse verrugas por todo o rosto, continuaria sendo bela. Se eu não tivesse todos os dentes e fosse careca, continuaria sendo bela. Se eu fosse zarolha e tivesse o cabelo [mais] pixaim, continuaria sendo bela. Pra mim e pra mais alguém, ou não. Porque tudo o que eu teria a fazer é imaginar que, quem quer que tenha inventado esse conceito idiota, não parou pra pensar que num mundo de quase sete bilhões de pessoas, tentar padronizar o que quer que seja é, no mínimo, uma idiotice.

Que me perdoem os poetas e todos aqueles que buscam o modelo de perfeição, mas... beleza não é fundamental. Não mesmo.


Registrado por Ana P. em * 30.9.07
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[Quinta-feira, Setembro 13, 2007]

Família, dinheiro e outras histórias

Wouldn't it be nice if we were older
Then we wouldn't have to wait so long
And wouldn't it be nice to live together
In the kind of world where we belong

The Beach Boys - Wouldn't it be nice

Eu baixei a trilha sonora de um dos filmes mais significativos que eu já assisti: 50 First Dates. Vale muito mega a pena assistir esse filme. Eu sei.

Dizem que a família é a instituição mais importante existente no mundo. É aonde fazemos o primeiro contato com seres humanos diferentes, onde aprendemos a maior parte das coisas [senão todas] que vão ser a base de nossa personalidade. São nossos primeiros amigos, nosso porto seguro, enfim. A família é realmente algo importante e que as pessoas deveriam tratar com mais... cautela, eu diria. Mas a minha família... gente... a minha família é sem comentários.
Eu os amo muito, nunca neguei isso, nem nunca negarei. Talvez apenas minha irmã, mas ela é um caso à parte! Bem, amo minha família. Podem me provocar à vontade, mas jamais insultem alguém da minha família. Somos unidos à nossa maneira, e exigimos que respeitem isso. Mas às vezes eu tenho a leve impressão de que a recíproca não é tão verdadeira assim. A medida que eu amo os meus irmãos e pais é muito menor no caminho de volta. Claro que sei que eles me amam, e me querem bem [de um jeito estranho]. Mas não tem como eu deixar de notar que existem diferenças gigantescas no trato de um com o outro.
Desde que eu comecei a trabalhar e ganhar o meu próprio dinheirinho, eu tenho me sentido uma espécie de fundo de pensão dos meus pais e dos meus irmãos. Toda vez que alguém precisa milagrosamente de dinheiro, eles pedem pra quem? Pra mim, claro. E isso muito antes mesmo d'eu começar a trabalhar em banco, viu? Toda hora era "me empresta R$ 50,00" ou então "paga esse boleto pra mim, depois te dou o dinheiro". Aliás, esse depois nunca chegou! Quando meu irmão foi comprar a casa dele foi um tal de "me empresa R$ 50,00", depois "me empresta R$ 150,00", depois "me empresta R$ 300,00", depois "me empresta R$ 180,00". Eu até perdi a conta de quanto ele me deve. Se fosse juntar a família toda, garanto pra vocês, a dívida chegaria perto dos R$ 8000,00 ou até mais que isso. Isso porque eu já fiz até empréstimo para o meu pai.
Não dá pra misturar família com assuntos financeiros, foi o que eu tive que aprender a duras penas, depois que meu irmão mais velho casou. Hoje em dia, meu nome e meu cartão de crédito pertencem apenas à mim e a mais ninguém. Mas se o problema de relacionamento que eu tenho com minha família se resumisse apenas ao setor financeiro, minha vida estaria de boa. Não... existe ainda o problema do "não-tenho-ninguém-para-jogar-minhas-lamúrias,-então-vou-procurar-a-ana!" Sim, todo mundo que tem algum problema e/ou quer desabafar algo a respeito de alguém [diga-se de passagem, alguém da família] que o irrita, procura quem?? A besta aqui. Porque eu ouço pacientemente, e vez ou outra, se eu estou muito irritada, eu dou meu pitaco. Senão fico apenas em silêncio concordando com tudo.
Ficar ouvindo o problema alheio pode parecer bem ... louvável, sinal de que você é uma boa pessoa, por isso eles te procuram para desabafar. Até certo ponto é legal realmente ser simpática com as pessoas. Só que chega uma hora que você também quer ser ouvido. Mas alguém tá querendo saber qualquer coisa da sua vida totalmente desinteressante? Claro que não! O legal é sempre falar "venha a nós" e "vosso reino" nada!

Eu fico chateada quando estou nervosa com minha família porque sei que não tenho esse direito. O certo seria chegar neles e conversar a respeito do que me deixa triste com relação a eles. Mas, depois de 23 anos de silêncio, fica meio estranho você resolver reclamar de tudo de uma vez. Então eu aceito, afinal, talvez seja essa minha missão, não só com minha família. Com todos à minha volta. Se assim for, tenho cumprido bem até demais esse dever.

Mas que às vezes dá vontade de mandar todo mundo para a puta que o pariu, isso dá mesmo!

Registrado por Ana P. em * 13.9.07
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[Domingo, Agosto 12, 2007]

There and back again... and again... and again...

I'm in the sky tonight,
There I can keep by your side
Watching the wide world riot and hiding out
I'll be coming home next year...

Foo Fighters - Next Year

Lá e de volta outra vez.

Esse é o nome do livro que Bilbo Baggins escreveu antes do Senhor dos Anéis, tá, tipo uma lenda. There and back again.

Parece que é assim que eu me comporto de vez em quando. Eu quero uma coisa, daí eu não quero mais, pra em seguida querer novamente. Lá eu já fui, já saí... e quero voltar. Seria bem mais fácil se eu não tivesse essa certeza matadora no peito, aquela certeza de que tem certas coisas na nossa vida que não tem volta. Tem palavras que não são desfeitas, tem sentimentos que não podem ser revividos, tem ações que não podem ser esquecidas. Tem pessoas que não podem ser esquecidas. Tem momentos que não podem ser revividos, por mais que eu queira e deseje ardentemente. Lembrar, ao menos.

Eu já estive lá, eu vivi, eu sei como era bom por lá. Como eu me aventurei, me diverti, vivi coisas novas, às quais eu jamais viverei novamente. Aí eu tive que ir embora, eu fui embora e pensei em nunca mais voltar. Mas, como disse o próprio Bilbo, colocar os pés na estrada é uma coisa perigosa, pois daí em diante, se você não se controlar, você não vai mais conseguir voltar. E enfim, é isso que me incomoda. Eu quero estar de volta outra vez, mas sei que não posso estar de volta outra vez, porque a estrada me ensinou coisas, me mostrou coisas e me transformou numa coisa que eu nunca fui. E eu jamais poderei voltar a ser outra que não essa que eu sou hoje. Confuso. Mas eu me entendo assim, e talvez você me entenda também. Talvez esteja surgindo nesse momento aquele sorrisinho discreto do tipo "não tô entendendo nada". Ou, pior ainda, aquele sorriso matador do "eu te avisei, se fudeu, bem feito".

Não, não me fudi não.

A estrada me ensinou coisas que eu não teria aprendido se eu tivesse ficado lá. Coisas, é claro, muitas das quais eu poderia viver muito bem viver sem aprender. Mas tantas outras que me ajudaram e continuam a me ajudar bastante. Aprendi, principalmente, a viver sem ter que estar o tempo todo lá. Mas existem momentos como este, hoje, que eu queria tanto estar lá, estar em segurança. E não por aí, de volta again, and again, and again.

Sei que não precisarei me preocupar com mais nada disso em breve, pois chegará um momento em que, assim como para Bilbo Baggins, minha viagem chegará ao fim. Voltarei finalmente para minha casa, e então descansarei. E nenhum desses pensamentos irá me incomodar novamente, pois em casa, nada disso importa realmente. A viagem será apenas uma lembrança, tudo será apenas uma lembrança longínqua, que eu nem saberei distinguir se foi sonho ou realidade. É isso.

I'll be coming home next year... or next... or next... enfim.

Registrado por Ana P. em * 12.8.07
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[Sábado, Maio 12, 2007]

O mundo é perfeito

Retrovisor mostra meus olhos com lembranças mal resolvidas
Mostra as ruas que escolhi... calçadas e avenidas
Deixa explícito que se vou pra frente, coisas ficam para trás
A gente só nunca sabe... que coisas são essas

O Teatro Mágico - Amem

Eu resolvi dar uma olhada no retrovisor, e vi este blog, este ser que foi abandonado, talvez no seu auge, confesso. Mas, como todos os outros, ele me traz lembranças de momentos, de feitos, de vitórias e de derrotas. E talvez a minha maior vitória tenha coincidido com minha pior derrota. Como tá dito e cantado pelo TM, "se vou pra frente, coisas ficam pra trás".

Não tenho medo do meu passado. Talvez eu tenha um certo medo, e por isso todos os dias eu peço à Luz que me guia que ele não retorne. Que ele não venha me visitar na próxima esquina, naquela estação, naquela loja, naquela tarde chuvosa. Não por medo do encontro, mas por medo da reação. Minha reação.

Acho que o meu maior problema não é medo de encontrar o passado jogado fora, ali, na próxima esquina. É que eu me encontro numa fase de amor. Sim, sim, estou apaixonada. Por ninguém em especial. Estou apaixonada. Sabe aquela sensação de felicidade, aquela vontade louca de sair pulando pela rua, de dar bom dia pras flores e de cantar enquanto trabalha? Pois é, estou apaixonada. Perdidamente e enlouquecidamente apaixonada. Mas a minha paixão não tem um alvo. É apenas a sensação boa do amor, da saudade gostosa, da vontade de encontrar, enfim.

Estou apaixonada pelo meu presente. Talvez por isso o medo de encontrar o passado: encontrá-lo, provavelmente vai me fazer compreender que a paixão do presente é uma ilusão mais real do que a que foi no passado.

Registrado por Ana P. em * 12.5.07
E comentado por pessoas!

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